Fernanda Pimentel

O mais difícil de viver aqui é estar longe da minha família e dos meus amigos.

Eu saí do Brasil em 2006 para fazer um programa de trainee em uma empresa americana. Na época em que saí, eu era professora universitária e resolvi tentar uma oportunidade diferente fora do país. Vim com o propósito de ficar seis meses, buscar um oportunidade nova. Depois, estendi para mais seis meses e, depois, mais seis. E nisso foram um ano e meio. Depois, eu voltei para o Brasil para trocar de visto e vim para ficar três anos, mas já se foram mais de dez anos.

Minha volta está cada vez mais distante. Meu marido é colombiano, nós nos conhecemos aqui. Desde que meu filho nasceu aqui, em 2014, voltar está ficando algo cada vez mais distante. Hoje em dia, eu tenho planos de voltar, mas não sei mais quando. Agora, mais do que nunca, eu sinto falta da minha família porque gostaria que eles tivessem contato com meu filho, mas vendo todas as dificuldades que eu teria para voltar com ele para o Brasil agora, me faz perceber que a volta está longe neste momento.

Aqui, tenho uma empresa de eventos e montagem de estandes em feiras de negócios. Nossos clientes são, em sua maioria, empresas brasileiras, muitos agentes do governo que vêm para os Estados Unidos participar de feiras. Então, minha convivência maior é com brasileiros por causa do meu trabalho. Na parte do escritório, todos são brasileiros e, na parte do depósito, são de outros países latinos. Então, eu convivo mais com brasileiros mesmo estando aqui nos Estados Unidos.

No início, como eu vim para ficar um período curto, tentei não me envolver muito com brasileiros para aprender o idioma. Depois que aperfeiçoei o idioma, comecei a ter mais contato com gente daí. Na verdade, desde o início, o mais difícil foi ficar longe da minha família e dos meus amigos. Mesmo hoje, depois dez anos, eu não tenho ninguém da minha família aqui. Tenho amigos, mas é diferente, porque não são amigos que cresceram comigo no Brasil. Então, o maior desafio sempre foi a distância. Nunca tive muito um choque cultural e nem problemas com a língua. Nos primeiros meses, foi difícil me adaptar com a comida, mas já passei desta fase há muito tempo. Aprendi a cozinhar e encontrei os lugares para comprar tudo o que existe de comida no Brasil. Então, mais difícil mesmo é a distância das pessoas queridas.

Meu plano de vida é me aposentar no Brasil. Então, eu vou continuar trabalhando aqui por um tempo, tenho que tocar a minha empresa aqui, mas tanto eu, quanto meu marido, temos este plano de um dia voltar e que nossa aposentadoria seja no Brasil. Eu quero regressar para começar a vida lá de novo, mas em um plano diferente, não mais buscando oportunidades profissionais, apenas me aposentar e viver no Brasil.

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